A Biblioterapia em defesa dos valores humanos

No passado dia 4 de Março, a convite do Município de Albergaria-a-Velha, tive a imensa honra e o enorme prazer em participar no evento “Para Além de Princesas e Dragões – IV Encontro a Biblioteca e a Aprendizagem Criativa”, este ano dedicado ao(s) Valor(es) da(s) Leitura(s). Foi nesse âmbito que preparei e li o texto que agora partilho. 

***

Julgo que será importante dizer-vos, antes de mais, que a Biblioterapia é uma actividade recente na minha vida. Muito mais remotas são a paixão pelos livros e a paixão pelas viagens. Essas têm praticamente a minha idade. Mas não deixa de ser curiosa a forma como os livros e as viagens me fizeram convergir para a Biblioterapia e como moldaram uma das principais missões que lhe atribuo: humanizar-nos.

A Biblioterapia, que pode ser definida como “um método facilitador do desenvolvimento pessoal e da resolução de problemas através dos livros” [1], parte do pressuposto que os textos literários envolvem emocionalmente o ser humano. Ler é “um processo de recordação, construção e associação” [2] através do qual o leitor relaciona a informação que recebe com a que já tem no seu pensamento. No decurso dessa operação tantas vezes
inconsciente, o leitor identifica-se com personagens, acompanha-os na resolução de situações complexas, aplica a experiência do personagem à sua própria experiência e coloca-se no lugar dos outros. Empatia. A palavra mágica.

O reconhecimento dos benefícios deste processo pela comunidade científica e por profissionais das mais variadas áreas faz com que hoje em dia, por exemplo, a leitura de romances seja recomendada a estudantes de medicina nos Estados Unidos da América com o propósito de torná-los mais empáticos, já que uma boa relação médico/paciente é determinante no sucesso da medicina. E levou, também, a que uma juíza do estado da Virgínia sentenciasse, há poucas semanas, cinco jovens — que vandalizaram os muros de uma pequena localidade com grafitis sexistas, racistas e anti-semitas — à leitura de uma extensa lista de livros e a elaborar relatórios sobre essas leituras [3]. A lista tem 35 títulos; eis os que estão disponíveis em português no nosso mercado e que talvez possam interessar-vos:

     Vida Roubada  Quando tudo de desmorona  O Sol Nasce Sempre AF  Noite               Mil sóis  Menino de cabul  Mataram a cotovia  História serva               Entre Mim e o Mundo   As Serviçais   A vida imortal de Henrietta Lacks   Screen shot 2017-02-27 at 10.40.26 PM.png

Há uns anos, quando li “A Arte de Viajar”, de Alain de Botton, descobri que Gustave Flaubert, autor do clássico “Madame Bovary”, foi para além de um grande escritor, um viajante apaixonado. Ente 1849 e 1852, por exemplo, organiza uma longa viagem ao Oriente, zona do globo que o fascinava desde a adolescência, e visita o Império Otomano (actual Turquia), Jerusalém e o Egipto. É no regresso desse périplo que, numa carta endereçada a uma amiga, escreve o seguinte:

“Não sou mais moderno que antigo, nem mais francês que chinês, e a ideia de pátria, quer dizer, de um imperativo que me impõe que viva numa parcela de território pintada de azul ou de vermelho num mapa, e que odeie as outras parcelas assinaladas a verde ou a negro, sempre me pareceu limitada, mesquinha e profundamente estúpida. Sou irmão pela alma de tudo o que vive, tanto da girafa e do crocodilo como do homem.” [4]

                  

Diria que Gustave Flaubert, após a memorável viagem, passou a sentir-se, como diz o nosso contemporâneo José Tolentino Mendonça, “simplesmente membro da família humana”. Acredito que este efeito maravilhoso, que vai ao encontro da nossa mais profunda natureza, pode ser alcançado viajando através dos livros e viajando nos livros, sempre que não possamos deslocar-nos fisicamente. Particularmente nos dias de hoje, acredito que a Biblioterapia tem um papel fundamental a desempenhar no potenciar desse sentimento, dessa atitude e de comportamentos concordantes com a mesma. Para o bem de todos.

Sentirmo-nos simplesmente membros da família humana é a nossa mais profunda natureza. Uma criança, quando nasce, não sabe o que é um continente, um país, uma fronteira, uma nação. Uma criança consegue brincar com outra, mesmo que não falem o mesmo idioma. Estas mesmas crianças não farão juízos de valor acerca da cor da pele, do formato dos olhos ou da religião uma da outra a não ser que alguém — pelo exemplo ou pelo imenso poder palavra — as tenha já contaminado com preconceitos.

Mudar hábitos e mudar mentalidades é das tarefas mais complexas com que um adulto pode lidar. Implica tomar consciência da necessidade dessa mudança, comprometer-se com esse processo lento e custoso, persistir, investir e, por vezes, mudar de contexto. Implica, também, aquilo que muitas vezes mais o assusta: conhecer-se a si mesmo, depois de décadas a fugir desse assunto. E implica, ainda, conhecer melhor o mundo que o rodeia, para pôr fim aos medos. A melhor arma para combater o medo é o conhecimento. E a maior parte do conhecimento está nos livros.

Porém, aqueles que ensinam sabem, por vezes tão bem ou melhor do que aqueles que educam, que uma criança é o terreno fértil onde o “espírito da família humana” mais facilmente germinará e dará frutos que se desejam duradouros. Crianças que cresçam imbuídas deste espírito de abertura e respeito pelas POUCAS diferenças dos outros e atentas às INÚMERAS semelhanças, crianças estimuladas a ser curiosas, incentivadas a nomear correctamente os seus sentimentos e a reflectir sobre eles, encorajadas a definir os seus valores orientadores e a autoconhecer-se serão, amanhã, adultos que compreenderão melhor os outros e o mundo.

       

Pequenos livros como “O racismo explicado às crianças”, “Chamo-me Nelson Mandela”, “Doze Anos Escravo” ou “O Rei, o Sábio e o Bobo” — que mostra, de forma simples e com muito sentido de humor, o quanto os princípios fundamentais das maiores religiões são idênticos —, ajudarão a fazer das crianças de hoje adultos mais esclarecidos e mais informados amanhã. Nos cidadãos informados, o medo não cria raízes. Adultos sem medo são cidadãos mais justos, mais empáticos, logo mais humanos. Para o bem de todos.

A História, por exemplo, será sempre uma ciência e uma disciplina a que teremos de voltar uma e outra vez para que tanto os mais novos como os mais velhos nunca percam a visão abrangente que é obrigatório ter sobre o mundo e o longo percurso comum da nossa enorme família humana.

                 

Yuval Noah Harari, professor israelita de História, especializado em História mundial e processos da macro-História, lançou em 2014 um livro magnífico, para muitos já uma obra fundamental, intitulada “Sapiens – História Breve da Humanidade”. É um livro escrito numa linguagem acessível e num registo entusiasmante, com uma perspectiva única e muito original sobre a nossa evolução desde a Idade da Pedra até ao Século XXI. Professores e educadores, por exemplo, encontrarão neste livro muito material que, devidamente adaptado e exposto aos mais novos, permitirá fortalecer a consciência de comunidade global através do conhecimento, sempre na perspectiva de que é mais aquilo que nos une do que o que nos separa.

Perante a actual crise dos refugiados e a intensificação das migrações a nível planetário, por exemplo, parece-me, urgente não esquecer que esta nossa imensa família humana tem as migrações no sangue. Literalmente, no sangue. Porque fomos nómadas durante milénios, ficou gravado no nosso ADN o gene DRD4-7R a que os anglo-saxónicos chamaram de “Wonderlust” ou “Gene do Viajante”. Dados apontam que cerca de 20% da população mundial possui este gene, que está na origem da curiosidade e da inquietude que os impele a viajar constantemente.

    

Mesmo depois de nos sedentarizarmos sentimos necessidade de partir, por pura curiosidade, necessidade ou emergência. Fugir, afinal, faz parte do instinto de sobrevivência de qualquer membro da família humana. Nós, portugueses, emigrantes profissionais há 600 anos, somos o exemplo acabado do nomadismo por todas aquelas razões, a miséria, a guerra e a perseguição política ou religiosa incluídas. Ensinemos, então, os nossos miúdos a olhar-se ao espelho. Ensinemos aos nossos miúdos a conhecer e a entender os seus, os nossos telhados de vidro. Quantos milhares de anos tem, afinal, o aforismo “Conhece-te a ti mesmo”?

           

                                 

Este é um bom pretexto para explorar obras como “Malala, a menina que queria ir à escola”, “Diário de um migrante”, “Emigrantes”, “Aristides de Sousa Mendes – Um Homem de Coragem” ou “O Retorno”. E lancemos às nossas crianças sempre, sempre a pergunta: e se fosses tu? E se fosse a tua família?

Por esta altura, já terão percebido que para além de apaixonada por livros e viagens, sou igualmente uma optimista incorrigível. Devo acrescentar, contudo, que também gosto de me aperceber das ironias da vida e que a forma como olho para mim e para o mundo que me rodeia se faz muitas vezes à luz dos paradoxos. Acredito que a vida é paradoxal, sempre o foi, sempre o será. E os livros desempenham um papel fundamental na ajuda à interpretação e entendimento dessas constantes contradições, que são intrínsecas à natureza humana. Os livros proporcionam-nos uma visão caleidoscópica acerca de qualquer assunto.

Foi-nos anunciado há cerca de duas semanas que os currículos das nossas escolas vão passar a dedicar mais horas às Ciências Sociais.[6] Esta é uma excelente notícia. Já aqui falei da História como disciplina onde se alicerça boa parte da consciência de que somos todos membros da grande família humana. Vejo na Filosofia o mesmo papel e espero que esta disciplina ganhe novo fôlego junto dos mais novos.

               

Luc Ferry, filósofo francês contemporâneo e optimista como eu, define a Filosofia como “uma demanda de sabedoria e de espiritualidade sem Deus”. No seu livro “A Revolução do Amor”, Ferry defende que depois de uma primeira vaga de humanismo fundamentada na ideologia das Luzes, nos valores da Revolução Francesa — Liberdade, Fraternidade e Igualdade — e na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão — que estiveram na origem dos movimentos republicanos europeus por um lado e do colonialismo por outro —, emerge agora uma segunda vaga de humanismo fundamentada no amor: o casamento deixou de ser feito por conveniência e passou a acontecer por amor-paixão; as crianças nascidas dessas uniões passaram a ser sacralizadas; surge a preocupação com o mundo que deixaremos aos nossos filhos que tantos amamos; e, a partir daí, passou a sacralizar-se a pessoa humana em geral, isto é, cada um dos sete mil milhões de membros da família humana, o que implicou mudanças radicais na esfera pública e política.

“Em nome do amor, da simpatia, do ‘sofrer com’”, se preferirem, em nome da empatia, o segundo humanismo critica ferozmente a indiferença. Luc Ferry argumenta que “se as injustiças ou as desigualdades nos parecem hoje mais insuportáveis do que nunca não é pelo facto da realidade ser pior do que antes. Ela é de modo evidente, e apesar de todas as suas imperfeições, incontestavelmente melhor. Fomos nós que mudámos, foram as nossas exigências que se tornaram mais elevadas, precisamente mais fraternas.”[7]

               

Possam as nossas crianças ser educadas e ensinadas no espírito desta filosofia do amor, desta espiritualidade laica, dos seus valores, da sua ética e talvez no futuro deixemos de ter gestores, economistas, políticos, engenheiros, patrões, enfim, supostos líderes das mais variadas proveniências formativas tão pouco humanizados como os de hoje. Como refere Fernando Savater logo no terceiro parágrafo do seu livro “Ética para um jovem”, “A reflexão moral (…) é parte essencial de qualquer educação digna desse nome”.[8]

         

Há cerca de duas semanas, a Amnistia Internacional, no seu relatório sobre o estado dos Direitos Humanos no mundo em 2016/2017 [9], alertou para o número crescente de políticos que recorre a uma retórica tóxica e desumanizadora do “nós contra eles” e a narrativas de ódio e medo que expõem o lado sombrio da natureza humana. Esta agenda que certos políticos adoptam por conveniência política vê nos direitos humanos um obstáculo aos interesses nacionais e enfraquece a capacidade colectiva de resolver atrocidades.

Mas, haverá razões objectivas para certos líderes propagarem um discurso de medo? O mundo estará efectivamente tão pior que seja necessário, como defendem, fecharem os seus países sobre si mesmos, ostracizando os demais? Exceptuando as questões ambientais, dados recentes mostram com toda a clareza que não. Aliás, globalmente, nos últimos 100 anos [10]:

  • A população cresceu mais de 300%;
  • O Rendimento Per Capita cresceu 290%;
  • O número de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza, isto é, com menos de 1.25$ por dia, diminuiu de 82% para 12%;
  • A esperança média de vida aumentou de 51 anos para 81 anos e estima-se que em 2030, em 35 países, Portugal incluído, chegará aos 90 anos; [11]
  • O número de democracias passou de 16 para 123; [12]
  • A literacia aumentou de 32% para 85%; [13]
  • A mortalidade infantil é de apenas 6 mortes por cada mil crianças nascidas; [14]
  • E, de acordo com o Professor Steven Pinker, da Universidade de Harvard, no seu livro “Os Anjos Bons da Nossa Natureza”, a humanidade está a viver os tempos mais pacíficos de toda a sua história. Não só o número de guerras diminuiu substancialmente desde 1950, como também o número de mortos por conflito. [15

Em 2015, a Organização das Nações Unidas reconheceu que os Objectivos de Desenvolvimento para o Milénio (estabelecidos em Setembro de 2000) foram a iniciativa contra a pobreza mais bem sucedida da história e Ban Ki-moon, ex-secretário-geral da ONU, declarou que “depois de avanços profundos e consistentes, agora sabemos que a pobreza extrema pode ser erradicada dentro de mais uma geração”. [16]

                   

Na minha qualidade de viajante, uma das perguntas que mais me fazem é se não tenho medo. Se não tive medo de fazer uma volta ao mundo, por exemplo, ou se não tenho medo de ir ao Irão. A minha resposta é sempre a mesma: o mundo não é o que vemos no noticiário das 20h, que tão bem sabe explorar a natureza do nosso cérebro primitivo, a amígdala, sempre mais atenta ao perigo, às ameaças, logo, às más notícias. Não nego que o mundo tenha perigos, não nego que haja muito trabalho, ainda, pela nossa frente para fazer dele um lugar mais justo, igualitário e seguro. Mas recuso-me a vê-lo como um antro de desgraças e ameaças.

Talvez porque leio bastante?

As retóricas tóxicas e narrativas do medo adoptadas por alguns líderes só proliferarão junto de mentes mal informadas ou pior, junto de mentes que se creem bem informadas porque “ouviram na televisão”, “viram na internet” ou “leram no twitter”. “Os Superficiais”, de Nicholas Carr, é um dos muitos livros que exploram os efeitos da internet sobre as nossas capacidades intelectuais e culturais. Mais uma vez, não nego os óbvios benefícios da televisão, da Internet ou de qualquer outro meio de comunicação, mas é fundamental que as crianças e os jovens sejam alertados para a necessidade de analisar criticamente a informação que lhes chega por esses canais. É fundamental que vejam também o nosso mundo pelas múltiplas perspectivas que os livros, quais janelas amplas, proporcionam.

                

Essa é uma tarefa que dá trabalho. Dará trabalhos aos pais, aos professores, às crianças, aos adolescentes e aos jovens adultos. Aliás, dará trabalho a todos durante toda a vida. Como disse o historiador brasileiro Leandro Karnal numa entrevista recente, “Formar uma cabeça ou um corpo para qualquer habilidade demanda muito esforço (…) Todo o esforço humano continua árduo, penoso, lento e metódico. A internet faz crer que o acesso ao dado, à informação tornou as pessoas livres do esforço.” [17]

Ao longo desta apresentação fui deixando dicas de leituras para várias faixas etárias que julgo adequadas para pensar o humanismo e sair em sua defesa. Mas tão importante quanto ler estes livros, reflectir sobre as suas mensagens e elaborar trabalhos sobre eles ou a partir deles é, no meu entender, passar à acção. Gostaria que estes livros, nas vossas mãos, nas mãos dos vossos alunos e nas mãos de todos os leitores os levassem a agir.

Li o livro, interpretei o conteúdo, adquiri uma nova forma de olhar para um certo assunto. Como é que eu vou agora integrar isso na minha vida para me desenvolver pessoalmente e contribuir positivamente para o progresso da minha comunidade? Que objectivo vou estabelecer? Que primeiro passo vou dar para concretizá-lo? E como vou medir os resultados dessa mudança?

O que vos peço é que apliquemos um pouco da metodologia do Coaching à Biblioterapia, para que o seu enorme poder se propague em defesa dos valores humanos. Para o bem de todos.

***

Notas:
[1] Pherson e McMillan, 2006
[2] “Cérebro e Leitura”, de Teresa Silveira, Lema d’Origem, Lisboa 2014
[3] http://goodereader.com/blog/e-book-news/virginia-vandals-sentenced-to-read-books
[4] “A Arte de Viajar”, de Alain de Botton, Publicações Dom Quixote, Lisboa 2010
[5] http://observador.pt/2015/03/04/afinal-viajar-esta-nos-genes/
[6] http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-02-17-Governo-vai-mudar-curriculo-das-escolas
[7] “A Revolução do Amor”, Luc Ferry, Temas e Debates, Lisboa 2011
[8] “Ética Para um Jovem”, de Fernando Savater, Publicações Dom Quixote, Lisboa 2007
[9]http://amnistia.pt/index.php/noticias/noticias-860021/2617-politicas-de-demonizacao-estao-a-alimentar-a-divisao-e-o-medo
[10] http://startupguide.com/world/the-world-is-actually-getting-better/
[11] http://observador.pt/2017/02/22/esperanca-media-de-vida-perto-dos-90-anos-em-mais-de-35-paises/
[12] https://singularityhub.com/2016/11/01/why-the-world-is-better-than-ever-and-will-get-better-still/
[13] https://singularityhub.com/2016/11/01/why-the-world-is-better-than-ever-and-will-get-better-still/
[14] http://startupguide.com/world/the-world-is-actually-getting-better/
[15] “Os Anjos Bons da Nossa Natureza”, de Steven Pinker, Relógio d’ Água, Lisboa 2016
[16]http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/onu-diz-que-800-milhoes-de-pessoas-ainda-sofrem-com-fome-e-pobreza.html
[17] https://www.youtube.com/watch?v=iZaGCupKsus
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