BIBLIOTERAPIA: UMA PRÁTICA CRIATIVA QUE NÃO CEDE NO RIGOR CONCEPTUAL

Em 2025, foi publicado, pela conceituada Routledge, o livro A Hundred Years of Bibliotherapy: Healing Through Books, organizado pelos professores universitários Siobhan Campbell, Sara Haslam e Edmund G. C. King. A obra reúne estudos sobre a biblioterapia — um método que explora o impacto psicológico e emocional das histórias e põe em marcha o seu potencial transformador, para cuidar de qualquer pessoa e contribuir para o seu desenvolvimento e bem-estar[1] —, principalmente a partir da Primeira Guerra Mundial. Ainda que o reconhecimento do valor terapêutico da palavra e das histórias remonte à tradição oral (não, a biblioterapia não começou nos Estados Unidos como alguns afirmam), é, de facto, na primeira metade do século XX que a formulação teórica da biblioterapia se estabelece.

Ao longo destes cem anos, foram inúmeros os académicos e os investigadores, de várias nacionalidades e de diferentes áreas do conhecimento, que se interessaram pela biblioterapia e contribuíram para as suas bases teóricas. Foi o caso de Karl Menninger, psiquiatra, que em 1930 reflectiu sobre o papel da biblioterapia no seu livro The Human Mind[2]; Louise Rosenblatt, uma das grandes teóricas sobre a resposta leitora, e Alice Bryan, psicóloga, que, no fim da década de 30, foram das primeiras investigadoras a identificar os benefícios práticos da biblioterapia[3]; Caroline Shrodes, proveniente das Ciências Documentais, que defende, em 1949, na Universidade da Califórnia, a primeira tese de doutoramento alguma vez redigida sobre biblioterapia[4] e, com esse trabalho de fôlego, define os três principais momentos do processo biblioterapêutico — identificação, introspecção/discernimento e catarse; Rhea Joyce Rubin, bibliotecária, que nos anos 70 categorizou a biblioterapia em três tipos — Institucional, Clínica e de Desenvolvimento[5]; John Pardeck, sociólogo, cujo trabalho com a biblioterapia, na década de 90, ajudou os profissionais de saúde norte-americanos a aceitar este método como uma ferramenta terapêutica útil[6]; Marc-Alain Ouaknin, filósofo, que publica em 1994 o livro Bibliothérapie: Lire c’est guérir[7], após vários anos de reflexão e escrita sobre hermenêutica, filosofia e psicanálise, e chama para a teoria da biblioterapia conceitos como leitura subjectiva, impermanência do ser, transcendência, abertura e alteridade; e, já no século XXI, Clarice Caldin, doutorada em Literatura, que sublinhou que em biblioterapia as histórias não têm obrigatoriamente de ser lidas, podendo-se desfrutar delas quando narradas oralmente ou dramatizadas[8]; ou Liz Brewster que, em 2011, na sua tese de doutoramento em Ciências Sociais[9], revê as categorias da biblioterapia e propõe três novos ramos: Criativa, Informal e de Auto-ajuda.

Em biblioterapia, os termos não são escolhas pessoais: delimitam o que conta como intervenção, quem a conduz, que objectivos tem e que evidência lhe é aplicável.

Se me demoro a nomear estas poucas personalidades, por entre as largas dezenas que seria relevante apontar no decurso destes cem anos, é porque quero frisar que os conceitos que descrevem os processos da experiência leitora em biblioterapia resultaram de anos de estudos e de investigação. Ou seja, estas noções, estas terminologias, muitas vezes “pedidas emprestadas” a outras áreas do conhecimento (medicina, psicologia, estudos literários, filosofia, etc.), que permitem organizar a biblioterapia e compreendê-la, não são meras escolhas pessoais, não resultam de uma preferência estética, apenas para ser-se original ou marcar uma suposta diversidade de perspectivas.

Uma das razões que me levou a frequentar um doutoramento em Estudos Literários é aprofundar a relação entre a mediação da leitura literária e o cuidado, para propor um novo ramo da prática biblioterapêutica. Mas para tal terei de investir os próximos três a quatro anos a rever a literatura especializada, a definir um modelo conceptual, a implementar processos de biblioterapia durante meses e com diferentes públicos, a registar dados e a analisá-los à luz da literatura previamente revista. Só depois poderei, com uma base científica, propôr esse novo ramo. Tudo isto porque em biblioterapia, como em tantas outras práticas, os termos não são, repito, escolhas pessoais: delimitam o que conta como intervenção, quem a conduz, que objectivos tem e que evidência lhe é aplicável.

Portanto, a biblioterapia é uma prática com um corpo de investigação, definições e práticas referenciadas. Sem o cumprimento destes critérios, por muito que se chame biblioterapia a uma determinada actividade, ela nunca o será. Por outro lado, redefinir unilateralmente termos técnicos sem sustentação teórica está muito para além de uma diferença de perspectiva: é introduzir uma alteração conceptual sem a necessária justificação, o que pode desorientar os/as aprendizes de biblioterapia e o público interessado em usufruir desta prática.

Quando a IA permite produzir textos plausíveis em segundos, torna-se ainda mais urgente distinguir fluência discursiva de conhecimento adquirido.

Temo que o campo da biblioterapia venha a sofrer de duas contaminações conhecidas. A primeira é a facilidade com que formulações imprecisas, pobres em fontes e rápidas em ambição se espalham mais depressa do que o trabalho necessário para as corrigir (Lei de Brandolini). A segunda é uma versão do efeito de Dunning-Kruger, talvez amplificada pela facilidade com que hoje se produzem discursos convincentes, quiçá com a ajuda da IA: saber pouco e parecer saber muito tornou-se perigosamente fácil. Para escrever este texto, por exemplo, recorri ao acumulado de leituras que fiz nos últimos dez anos, a notas e à verificação bibliográfica directa, num trabalho que exigiu longas horas de concentração. Quando a IA permite produzir textos plausíveis em segundos, torna-se ainda mais urgente distinguir fluência discursiva de conhecimento adquirido.

Porém, se há coisa que a prática biblioterapêutica permite — desde que não se ceda no rigor conceptual e no domínio do mesmo — é a  criatividade na escolha dos materiais biblioterapêuticos (textos, músicas, fotografias, filmes, entre outros), na concepção e no planeamento das actividades, e nas dinâmicas que permitem aos participantes explorar, na relação com as histórias, processos de identificação, intospeção, catarse e universalização e, a propósito de tudo isso, alimentar um diálogo com o mediador e com os outros participantes a fim de melhorar o seu bem-estar.

A propósito da criatividade em biblioterapia, tomo a liberdade de citar o meu livro Ler para viver melhor: como a biblioterapia pode melhorar as nossas vidas, publicado em 2024 pela Penguin Portugal (um crivo editorial que, hoje, realço com ainda mais orgulho):

“(…) a biblioterapia é adaptável e flexível porque não obedece a protocolos rígidos (pelo menos, até à actualidade e em específico na biblioterapia de desenvolvimento). A biblioterapia adapta-se a qualquer pessoa, em qualquer contexto, a qualquer fase da vida, e espelha a forma particular de cada profissional pôr o método em prática. Cada biblioterapeuta terá o seu próprio «tempero», como afirma a biblioterapeuta brasileira Cristiana Seixas e como tão bem evidencia a biblioterapeuta francesa Régine Detambel, que associa a biblioterapia à arte-terapia[10]. Esta adaptabilidade justifica a sua veia criativa e exige criatividade aos próprios biblioterapeutas. Há um leque virtualmente infinito de histórias adequadas às necessidades de um número virtualmente infinito de pessoas, e a interacção dessas pessoas com essas histórias pode assumir várias formas: leitura silenciosa, leitura em voz alta, dramatização (narração de histórias, adaptação de histórias a séries televisivas, filmes ou peças de teatro), círculos de biblioterapia, retiros biblioterapêuticos, jogos de tabuleiro e outras dinâmicas de grupo, palestras, acções de formação, exercícios de expressão plástica, escrita criativa, dança, animação cultural, etc. Basta que haja conhecimento bem fundamentado, imaginação e determinação no desvelo para com os outros.”

Quando escolherem um biblioterapeuta considerem tudo isto.

Conhecimento bem fundamentado. Conhecimento adquirido de facto, através do estudo e de leituras intensivas e extensivas. A determinação no desvelo para com os outros, para com qualquer ser humano, também se mede nesta seriedade.

Quando escolherem um biblioterapeuta — para fazer formação, para fazer biblioterapia, para dinamizar actividades de biblioterapia nas vossas bibliotecas, escolas, hospitais, estabelecimentos prisionais ou empresas — peço-vos que considerem tudo isto. E caso queiram esclarecer qualquer curiosidade que este texto possa ter espoletado, fico ao vosso inteiro dispor.

Um abraço e boas leituras!

Sandra


[1] Nobre, S. B., Da página para a paz [comunicação apresentada]. Festival Literário Bibliotecando em Tomar, Tomar, 2024

[2] Hendricks, Cindy; Hendricks, James; Cochran, Lessie, «Using literacy conversations for healing – The significant conversationalists», em «American Reading Forum», USA, volume XIX, 1999, p. 119.

[3] Idem.

[4] Shrodes, Caroline, «Bibliotherapy: A theoretical and clinical-experimental study», 1949, p. II. Tese de doutoramento em Educação, Universidade da Califórnia, EUA.

[5] Hendricks, Cindy; Hendricks, James; Cochran, Lessie, «Using literacy conversations for healing – The significant conversationalists», em «American Reading Forum», USA, volume XIX, 1999, p. 128.

[6] Pardeck, John, Using books in clinical social work practice – A guide to bibliotherapy, USA, Routledge, 2013, p. 131

[7] Ouaknin, Marc-Alain, Bibliothérapie: Lire c’est guérir, France, Éditions du Seuil, 1994

[8] Caldin, Clarice, «Leitura e terapia», 2009, p. 6. Tese de doutoramento em Literatura, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil.

[9] Brewster, Liz, «An investigation of experiences of reading for mental health and well-being and their relation to models of bibliotherapy», Setembro de 2011. Tese de doutoramento em Filosofia, Universidade de Sheffield, Reino Unido.

[10] Detambel, Régine, Les livres prennent soin de nous, France, Actes Sud, 2015

Da poesia do essencial ao essencial da biblioterapia

Esta crónica foi originalmente publicada no n.º 11 da Revista Palavrar. O mote desta edição — a poesia do essencial — foi o pretexto para reflectir sobre os caminhos da prática biblioterapêutica, à medida que o interesse pela biblioterapia se dissemina no país e vão surgindo novos praticantes/profissionais. Ser biblioterapeuta não é só dinamizar sessões de biblioterapia. Importa, e muito!, reflectir sobre a prática a cada passo e produzir conhecimento com bases sérias e alicerçado no muito que outros investigadores e especialistas já nos legaram. Esta área do conhecimento em Portugal é relativamente recente e frágil. Tem de ser manuseada com cuidado para não perder a credibilidade.

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Uma das experiências estéticas mais fortes que vivi no último ano e meio aconteceu com a leitura de um pequeno poema, um haiku, escrito por José Tolentino de Mendonça:

Existo sem pressa

Maturo em lides e demoras

Aprendo a incompletude[1]

Este punhado de palavras precisas e desafetadas, postas em três versos límpidos e fluídos, desata-me um nó que trago não sei onde, lava-me como o primeiro banho de mar no Verão, permite-me expandir os pulmões com uma longa golfada de ar com cheiro a floresta, relaxar os músculos tensos dos maxilares, da cervical e dos ombros, e libertar-me das angústias que arrasto há muito — a voragem do tempo, o frenesi inescapável, a glorificação do cansaço, a impossibilidade de ser tudo e de tudo fazer. A cada releitura apaziguo-me e reajusto o meu caminho.

Murmuro este poema como um mantra. Escrevo-o no início de cada entrada do meu diário intermitente. Ofereço-o a quem participa nas minhas actividades de biblioterapia e, depois de dito em voz alta, remeto-me ao silêncio à espera de reacções — sem orientações taxativas, sobretudo sem propostas de interpretação, revisão ou análise, porque a biblioterapia não é isso, a biblioterapia não é um exercício de exegese literária. A biblioterapia acontece no domínio da experiência estética (das perceções, das sensações, das emoções e dos sentimentos), da receção existencial e subjetiva, da reação visceral, da total liberdade de relação e expressão, e, apenas se necessário, das perguntas simples para instigar o diálogo: onde, no corpo, sentiste este poema? Que memória suscitou? Que imagens espoletou na tua mente? Como dialoga ele com a tua experiência de vida? Em quem te faz pensar?

Talvez para o poeta a escrita destes versos tenha sido catártica e se sinta orgulhoso do resultado alcançado. Talvez tenha impregnado o poema de uma intenção, para orientar os possíveis leitores num certo caminho. Ou talvez não. Talvez os versos resultem apenas de um rasgo de inspiração ou, pelo contrário, de muitas horas de trabalho para eliminar o supérfluo e expor o indispensável acerca de um estado de alma, pondo no mundo a poesia do essencial, sem outros planos ou agendas. Quem sabe? Uma coisa é certa, à prática biblioterapêutica e ao biblioterapeuta, deontologicamente comprometido, isso pouco ou nada deve importar — a poesia, aliás todas as histórias que, independentemente da sua forma e do seu suporte, constituem um bom material terapêutico são aquelas que vêm livres das amarras da análise, são aquelas que nos atravessam e transformam, tanto ao biblioterapeuta como a qualquer leitor, sem que seja preciso seguir um manual de instruções que as explique.

Em biblioterapia, as histórias são objetos de receção, não de autoridade. Esta distinção é tão fundamental para a prática quanto a necessidade, creio, de se distinguir a mediação da história pelo biblioterapeuta da autoria da história, particularmente quando o biblioterapeuta também é autor. A ética da prática biblioterapêutica em Portugal está por fazer, mas quando for definida seria bom que este ponto a integrasse e deixasse o alerta: quando o biblioterapeuta recomenda os seus próprios textos como terapêuticos, é necessária toda a prudência. E seria recomendável que essa prudência abrangesse a tentação de agregar a esses textos linhas de análise que condicionem a experiência do leitor. Em biblioterapia não analisamos: escutamos, questionamos, acolhemos e dialogamos.

Talvez não caiba ao biblioterapeuta, que também é autor, definir de forma explícita o tipo de experiência de leitura que as suas próprias histórias proporcionam, nem dissecar a sua própria imagética ou antecipar as emoções que pretende induzir no leitor. Do mesmo modo, poderá ser mais fecundo evitar a explicitação dos temas, bem como a justificação do narrador, sobretudo quando este se aproxima da própria figura do biblioterapeuta. Uma presença autorreferencial mais marcada pode deslocar o foco para o biblioterapeuta, quando, idealmente, esse foco pertence ao leitor, às histórias e às relações entre ambos. Poderá também interferir com o espaço transacional entre leitor e história — o espaço que o biblioterapeuta é chamado a sustentar com abertura e neutralidade —, assim como com a distância estética, que favorece a possibilidade de as palavras comoverem e transformarem o leitor. Não se trata de interditar em absoluto que o biblioterapeuta recomende os seus próprios textos como terapêuticos (embora apele, de novo, à máxima cautela se se enveredar por este caminho), mas sim de evitar colonizar a experiência do leitor e de outros biblioterapeutas, de condicionar a abertura da sua leitura e da sua experiência subjetiva à autoridade interpretativa de quem o escreveu.

É preferível que o biblioterapeuta constitua a sua farmácia literária a partir das histórias dos outros, das histórias feitas das palavras dos outros, feitas da matéria que é própria dos outros porque só assim sairá de si mesmo, transcender-se-á, abrir-se-á ao novo, ao diferente, ao inusitado, às perspectivas nunca antes ponderadas. E através desse exercício de alteridade, voltar a si mesmo sendo já outro. Um biblioterapeuta que não vive esta experiência extraordinária não saberá proporcioná-la aos demais. De que serve, a quem precisa de cuidado, que um biblioterapeuta gire em torno das suas próprias palavras? E entrarão para a farmácia literária do biblioterapeuta, sensível a estas questões éticas e deontológicas, aquelas histórias que — intencionalmente pesquisadas ou encontradas por acaso —, antes de tudo o mais (antes da teoria da literatura, da crítica literária, do ensaio académico ou da análise), o tocaram e comoveram profundamente, mesmo que às vezes não saiba explicar exactamente porquê. É aí, nessa inexplicabilidade que o essencial da biblioterapia começa.

[1] Em A papoila e o monge, Assírio e Alvim, 2013

A resposta a muitos pedidos

CURSO ESGOTADO (actualização 10.09.2026) | Agradeço, a todas as pessoas que se inscreveram, pela confiança no meu trabalho. Ficamos com uma lista de espera. Novas datas serão anunciadas. Mantenham-se atenta/os ao blogue d’ A Biblioterapeuta e às redes sociais.

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Em 2026, celebro 10 anos de dedicação exclusiva à biblioterapia.

Uma década a criar pontes entre a literatura, a leitura, as histórias, as pessoas e o cuidado, para promover a saúde e o bem-estar. Uma década durante a qual — para além de todas as atividades desenvolvidas (nas bibliotecas, nas escolas, nas empresas, nos hospitais, nos estabelecimentos prisionais, nos retiros de leitura, nos festivais de literatura e nas mais variadas conferências e congressos), dos conteúdos produzidos (bulas literárias, artigos e livros), e do acompanhamento de clientes individuais — nunca deixei de estudar e de aprender, porque só assim posso garantir a idoneidade, a qualidade e a seriedade do meu trabalho (razão pela qual frequento já o segundo ano do Programa Doutoral em Estudos Literários da Universidade de Aveiro; o detalhe do meu currículo actualizado pode ser consultado aqui).

Aprecebi-me, por estes dias, que não dinamizo desde 2022 um curso de introdução à biblioterapia. Na voragem de todas as outras solicitações, compromissos e responsabilidades, fui respondendo a pedidos de informação sobre as minhas formações explicando, uma e outra vez, que estava sem disponibilidade. Mas neste ano de anivresário redondo, impõe-se retomar o curso, agora revisto, actualizado e aumentado — não só em função dos conhecimentos que adquiri, mas acima de tudo em função da experiência prática que acumulei no terreno.

Devido ao meu doutoramento e aos compromissos profissionais, esta será a única formação que darei em 2026. E, francamente, com a exigência da investigação académica, não sei quando voltarei a ter disponibilidade para abrir um curso neste formato. A seguir, detalho o calendário, os horários e o conteúdo do curso, desenhado a pensar em quem trabalha (em horário pós-laboral) e estruturado para proporcionar as bases teóricas e práticas da biblioterapia.  

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Datas: 2, 4, 6, 9, 11, 13 e 17

Horário: 20h30 – 22h30

Formato Online via Zoom, com sessões totalmente síncronas

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Introdução aos conceitos base e enquadramento histórico.

Conteúdos:

1) O que é a biblioterapia

2) Tipos de biblioterapia

3) Evolução histórica da biblioterapia

Funcionamento, bases neurocientíficas e impacto da biblioterapia

Conteúdos:

4) Componentes do método biblioterapêutico e seu funcionamento

5) Biblioterapia e Neurociência

6) Eficácia e benefícios da biblioterapia

Curadoria e seleção de histórias

Conteúdos:

7) A escolha dos materiais biblioterapêuticos

Bastidores e realidade do terreno

Conteúdos:

8) A minha prática biblioterapêutica

A biblioterapia na prática: dinâmica de grupo

Conteúdos:

9) Círculo de biblioterapia (a biblioterapia na prática)

Encerramento

Conteúdos:

10) Apresentação e discussão dos trabalhos pedidos aos formandos

“Café com a Biblioterapeuta”: duas horas extra dedicadas exclusivamente ao esclarecimento de dúvidas, reflexões práticas e conversa livre, sem a pressão de uma agenda curricular.

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💶 PREÇOS E INSCRIÇÕES

Valor Regular: 210€

Inscrições antecipadas até 30 de Setembro de 2026: 190€

As vagas são limitadas a 12 lugares, para garantir a proximidade e a qualidade da partilha no grupo. 🔗 Garanta o seu lugar aqui: abiblioterapeuta@gmail.com

Obrigada e até breve!

Sandra

Um diálogo com histórias orientais

No próximo dia 9 de Maio, entre as 10h e as 13h, no Museu do Oriente em Lisboa, dinamizarei um Círculo de Biblioterapia a partir de histórias chinesas e japonesas. Pela natureza dos Círculos de Biblioterapia, as vagas são limitadas. As inscrições estão abertas aqui: https://bit.ly/417u1ms.

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Assumidamente extemporânea

O ano foi marcado por mais umas voltas ao país para a promoção da biblioterapia e a dinamização de muitas dezenas de actividades biblioterapêuticas com públicos de todas as idades; pela presença nos media, que não esmoreceu e conseguiu, até, ser superior à de 2024 no seguimento do lançamento do meu livro Ler para viver – Como a biblioterapia pode melhorar as nossas vidas; pela renovação das sessões de Biblioterapia Criativa no Hospital Magalhães Lemos para o período 2025/2026, que era um dos meus grandes objectivos profissionais; pela ida ao 2.º Congresso Europeu de Biblio/Poesia Terapia, desta vez na Universidade de Jyväskylä, na Finlândia; e pelo ingresso, em Setembro, no Programa Doutoral em Estudos Literários da Universidade de Aveiro, cujas exigências no 1.º semestre explicam o meu atraso na publicação deste habitual balanço.

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BIBLIOTERAPIA | O requinte do inacabado*

“A biblioterapia procura essencialmente (…) permitir ao Homem escapar a um encarceramento do destino (…) procura sistematicamente sair de qualquer enclausuramento fatal (…).”

Marc-Alain Ouaknin em “Bibliothérapie: lire c’est guérire”

Admito nunca ter pensado na biblioterapia exactamente nestes termos mas, perante o desafio proposto para esta edição da Palavrar, ouso afirmar, poeticamente, que a prática biblioterapêutica se alicerça com requinte sobre dois pilares inacabados — as histórias e o ser humano.

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O que aconteceu em Março e Abril

Este ano, a Semana da Leitura, uma iniciativa do Plano Nacional de Leitura, dividiu-se entre o último dia de Março e os primeiros dias de Abril. Na prática, acabou por contaminar, na melhor acepção do termo, estes dois meses, tendo muitos municípios, bibliotecas municipais e escolares e outras entidades aproveitado tanto Março, como Abril para celebrar localmente os livros e os leitores, também à boleia do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor (assinalado a 23 de Abril). E eu fui convidada a participar em muitas dessas celebrações, o que me fez muito feliz.

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O que aconteceu em Fevereiro

O mês mais curto do ano é para mim, de há vinte e cinco anos a esta parte, o mês das magnólias em flor. Creio que nunca tinha dado verdadeira atenção a estas árvores lindas, antes de vir viver para a área do Porto. Tenho, até, identificadas as minhas magnólias favoritas na cidade: a que fica na Praça da Liberdade e tem flores brancas; e uma, em particular, das três magnólias que ficam na lateral da igreja da Trindade, que tem flores cor-de-rosa. Ano após ano, é mais forte do que eu — fotografo-as sempre.

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BIBLIOTERAPIA | Diz-me o que ouves*

Defendo que não existe biblioterapia sem diálogo — entre o leitor e a história que lê, ouve narrada ou vê dramatizada; do leitor consigo mesmo, num exercício de introspecção suscitado pela história; e entre o biblioterapeuta e todos os participantes no processo biblioterapêutico, para reflectir em conjunto sobre a história com a qual interagiram.

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