
A maior parte das pessoas que lamenta profundamente não ler mais argumenta, com ar muito pesaroso, que não tem tempo. Admito que em casos pontuais a tarefa seja mesmo impossível, mas estou convencida que todos os outros não lêem porque não querem.

A maior parte das pessoas que lamenta profundamente não ler mais argumenta, com ar muito pesaroso, que não tem tempo. Admito que em casos pontuais a tarefa seja mesmo impossível, mas estou convencida que todos os outros não lêem porque não querem.

A ciência continua a demonstrar que ler faz bem à saúde. Mas o poder dos livros não se fica por aí. Ler regularmente pode, também, fazer de ti um melhor ser humano porque:
Porque haveremos de investir o nosso precioso tempo a ler romances ou poemas quando coisas importantes acontecem lá fora? Este curto vídeo da The School of Life, um projecto do filósofo britânico Alain de Botton, Continue reading “Para que serve a literatura?”

Ler potencia a tua saúde! Estes são alguns dos benefícios comprovados pela ciência:
No passado dia 15 de Abril — data do aniversário de Leonardo da Vinci, homem genialmente criativo — arrancou mais uma Semana Internacional da Criatividade e Inovação (World Creativity and Innovation Week). Foi nesse âmbito que aconteceu o Open Day da Mindshake House, no Porto. A oportunidade para receber clientes e amigos num novo espaço, que tem como missão “agitar mentes”. Num dos acolhedores e luminosos gabinetes pude, nesse dia, receber os meus primeiros clientes como biblioterapeuta para elucidá-los acerca do poder terapêutico da leitura, no desenvolvimento pessoal e corporativo. A experiência superou totalmente as minhas expectativas e fez daquele um dia memorável. Agradeço à Mindshake House o imenso privilégio de fazer parte de um projecto tão criativo, inovador e arrojado!
De entre os muitos benefícios do processo terapêutico através da leitura, destaco os seguintes [1;2]:
Fontes:
1- “Biblioterapia: síntese das modalidades terapêuticas utilizadas pelo profissional“, de Maria Cristina Palhares Valencia e Michelle Cristina Magalhães, Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação, v. 29, n.1, 2015.
2 -“Biblioterapia: o estado da questão”, de Ana Cristina Abreu, Maria Ángeles Zulueta e Anabela Henriques, Cadernos BAD ½ (2012/2013), página 95 a 111.
O bem-estar do ser humano é hoje visto de forma integral e encara-se o “ser-se saudável” não apenas como a ausência de doença física, mas também como o estar-se bem ao nível social e mental. Para alcançar este bem-estar global cooperam várias áreas do conhecimento e a Biblioterapia tem vindo a evidenciar potencialidades para colaborar no desenvolvimento e no equilíbrio do ser humano.
Para compreender e recordar um texto, os leitores fundem o seu conhecimento do mundo com a informação desse texto [1]. Isto é, quando lemos estabelecemos um diálogo constante com o texto, e nesse diálogo não só recebemos informação como levamos para dentro do texto tudo aquilo que somos: a nossa dimensão intelectual, emocional e até espiritual. Este diálogo profundamente subjetivo e íntimo, esta fusão entre leitor e texto, independentemente da sua dimensão ou conteúdo, é a premissa basilar da Biblioterapia, é o ponto a partir do qual o processo biblioterapêutico avança.
Durante a leitura, passamos por quatro momentos, que constituem as fases do processo biblioterapêutico [2;3]:
Identificação — O momento em que o leitor se reconhece nalgo ou nalguém (os personagens), o que lhe permite compreender os seus próprios conflitos à luz dos conflitos desses personagens;
Catarse — Quando o leitor liberta sentimentos reprimidos e sente alívio através dos desafios vividos e ultrapassados pelos personagens;
Discernimento — O leitor faz um juízo de valor sobre o que leu e faz o contraponto entre a sua experiência e a dos personagens do texto;
Universalização — Estabelece-se a ligação entre o que acontece no texto e a vida do leitor, que não só se coloca no lugar dos outros (os personagens) como percebe que não está só no tocante às suas inquietações, porque outros vivem desafios semelhantes.
Paralelamente a este processo, quando lemos estamos também: a recordar toda e qualquer experiência que já tenhamos vivido; a associar, isto é, a estabelecer pontes com tudo aquilo que já foi vivido e que constitui a bagagem emocional, intelectual e espiritual que levamos para dentro do texto; a reconstruir ou a imaginar um mundo, uma realidade paralela construída na nossa mente a partir do contributo do texto [4].
Através dos livros, o leitor ou um conjunto de leitores — no seio de uma empresa por exemplo — pode aplicar o que leu na sua própria vida ou na vida de uma instituição.
Nesse sentido, A Biblioterapeuta propõe-se actuar como mediadora, auxiliar na interpretação dos conteúdos e oferecer aos seus clientes a oportunidade de se distanciarem da realidade para rever conceitos, redescobrir emoções, pensar de forma distinta, tomar decisões e escolher novos caminhos.
A mudança para melhor é o objectivo primordial da Biblioterapia.
Fontes:
1 – “Reading stories activates neural representations of visual and motor experiences”, Speer NK, Reynolds JR, Swallow KM, Zacks JM., Psychol Sci. 2009;
2 – “Biblioterapia: síntese das modalidades terapêuticas utilizadas pelo profissional“, de Maria Cristina Palhares Valencia e Michelle Cristina Magalhães, Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação, v. 29, n.1, 2015.
3 -“Biblioterapia: o estado da questão”, de Ana Cristina Abreu, Maria Ángeles Zulueta e Anabela Henriques, Cadernos BAD ½ (2012/2013), página 95 a 111.
4 – “Cérebro e Leitura – Fundamentos neurocognitivos para a compreensão do comportamento leitor no processo educativo“, de Teresa Silveira, Lema d’Origem , 2014, ISBN 9789898342447