Novidade!

Arrancaram no passado mês de Maio os encontros mensais do Clube de Leitura d’ A Biblioterapeuta.

Esta iniciativa, fruto de uma sugestão feita por uma amiga, é também filha da pandemia e do confinamento — como milhões de outras iniciativas por esse mundo afora, pelas mesmas razões —, mas veio para ficar, online, ainda que as nossas circunstâncias já estejam a mudar. E estou certa que um dia proporcionará pelo menos um encontro presencial anual. Eu, pelo menos, já penso nisso com muito carinho.

As sessões deste clube de leitura, orientado na óptica da Biblioterapia, duram duas horas, divididas em duas partes, e têm as seguintes características:

. Por acontecerem online, permitem reunir pessoas de todas as zonas de Portugal e até participantes que residem fora do país;

. Não há leituras concertadas. Cada um lê o que quiser: um livro, dois livros, muitos livros!

. No dia da sessão cada participante tem uns minutos para falar de apenas um título. Sem revelar muito da história, é-lhe pedido que aborde as emoções suscitadas pelo livro, com que aspectos se identificou, o que aprendeu de surpreendente e que aplicação têm essas aprendizagens na sua vida.

. Finda a primeira parte, abrimos o debate para que todos possam pedir mais esclarecimentos sobre os livros apresentados, tecer comentários sobre ideias ou associações que lhes ocorreram, mencionar outros livros ou fazer a ponte entre as leituras apresentadas e a actualidade. Enfim, em termos de assunto o céu é o limite; o controlo do tempo é que constitui um desafio, dado o entusiasmo de todos.

Destas duas horas de encontro e de trocas apaixonadas a propósito das leituras resultam, entre muitas outras coisas gratificantes, listas de títulos que vão engrossar as já enormes listas de livros por ler de cada um dos participantes. Com as suas devidas autorizações, partilho aqui o que resultou das sessões de Junho e Julho. Espero que, inspirados pelas palavras destes leitores, possam também vocês querer ler (ainda) mais:

Um Longo Caminho, de Linda Sue Park, IN

“Adorei o livro porque combina personagens reais com personagens fictícios, alterna entre dois períodos temporais e aborda a questão de um bem que damos por adquirido: a água potável.” | Rita

O Susto, de Agustina Bessa-Luís, Relógio d’ Água

“Sou ultra fã da Agustina que consegue abordar uma variedade enorme de temas na sua obra, dentro do seu estilo de escrita marcante. Este livro é uma biografia de Teixeira de Pascoaes, mas o poeta nunca é referido por esse nome. Recomendo a leitura porque a forma como a narrativa é construída é fascinante.” | Patrícia

A História de uma Serva, de Margaret Atwood, Bertrand Editora

“Numa sociedade opressiva, preconceituosa e em que as mulheres não têm direitos nenhuns, as que são férteis foram transformadas em servas que providenciam herdeiros às famílias estéreis. É uma leitura muito perturbadora principalmente quando a protagonista recorda a vida normal que teve no passado e porque nos alerta para um futuro que, infelizmente, pode vir a ser real.” | Margarida

A Planície, de Jhumpa Lahiri, Relógio d’ Água

“Esta autora costuma explorar as questões da emigração, do desenraizamento, da transição entre dois mundos e do choque cultural. Este romance — sem nunca falar expressamente sobre isso, e mesmo que os protagonistas estejam acompanhados — é um tratado sobre a solidão. Foca também um tabu dentro da experiência da maternidade: a mulher que não se sente boa mãe por saber que para tal perde noutros aspectos da sua vida e, por isso, tem uma relação dúbia com a maternidade.” | Leonor

Uma Outra Maneira de Ser, de Elizabeth Moon, Editorial Presença

“Um livro perfeito para trabalhar a empatia para com os autistas, seus familiares e amigos. A autora consegue colocar-nos dentro do cérebro dessas pessoas e permite que compreendamos a forma como elas experienciam o mundo, como lhe reagem e porque o fazem de forma tão característica. Incute um respeito enorme pelas capacidades extraordinárias inerentes às pessoas com esta condição.” | Sandra

Capitães da Areia, de Jorge Amado

“Um livro que já li várias vezes. Conta a história de um grupo de crianças, na Bahia, de forma simples e bonita.” | Sofia

O Velho que Lia Romances de Amor, de Luis Sepúlveda

“Um livro muito verde, muito ambiental que retrata o gosto pela leitura e o valor da cultura e saberes indígenas. Uma escrita muito envolvente e cinematográfica.” | Rita

Gramática do Medo, de Maria Manuel Viana e Patrícia Reis

“Um livro com duas vozes que não nos permite saber quem escreveu o quê. Aborda a questão da amizade, da complementaridade através do outro, da relutância face a ideias pré-concebidas e da forma como organizamos a agenda mental dos momentos marcantes da nossa vida.” | Rita

O Sr. Ibrahim e as Flores do Corão, de Eric-Emmanuel Schmitt

“Uma história magnífica de determinação, coragem e amizade. Uma pequena lição sobre a entrega e a disponibilidade para o outro.” | Patrícia

Bíblia – Volume II, de Frederico Lourenço

“Leitura muito enriquecedora e esclarecedora quanto às parábolas muito presentes na nossa cultura, mas que eu não conhecia ao detalhe. Os comentários de Frederico Lourenço chegam a ser mais interessantes que o próprio texto.” | Gabriel

All Boys Aren’t Blue – A Memoir Manifesto, de George M. Johnson 

“Uma biografia onde se relata a experiência de um negro homossexual nos EUA.” | Carina

Homo Deus – História Breve do Amanhã, de Yuval Noah Harari

“Reflexão muito interessante sobre a História da Humanidade, com muitas pistas sobre o que será o futuro. Tem sido uma revelação e ajudou na decisão de deixar de comer carne.” | Ana

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

“Um livro intenso, com um toque de esperança no final porque o personagem principal tenta redimir-se.” | Margarida

Essa Gente, de Chico Buarque

“O relato da decadência de um homem, do Rio de Janeiro e do Brasil que me levou a pensar no quanto é urgente lutar contra os estados de apatia ou alienação, que têm consequências a nível particular e colectivo.” | Sandra

O Clube de Leitura d’ A Biblioterapeuta tem um limite de 20 participantes, que podem inscrever-se sem qualquer custo. Basta que gostem de ler, conversar e partilhar. Temos actualmente um núcleo de pioneiros, mas há ainda algumas vagas por preencher. E, por vezes, se algum dos participantes habituais não poder comparecer a uma sessão, o seu lugar pode ser pontualmente preenchido por alguém que queira experimentar este formato de tertúlia literária. Havendo interessados aí desse lado, basta que me enviem um email.

Boas leituras!

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