Top 10 em 2019

A American Library Association, fundada a 6 de Outubro de 1876 em Filadélfia, tem como missão promover e melhorar constantemente os serviços oferecidos pelas bibliotecas públicas e pelos bibliotecários, para que todos os cidadãos norte-americanos possam aceder livremente a informação e aprender sem constrangimentos. O lema desta instituição é: “A melhor leitura, para a maioria, ao mais baixo custo”.

Dentro desta instituição, que condena veementemente qualquer forma de censura, existe um Gabinete para a Liberdade Intelectual. Todos os anos, para que os cidadãos norte-americanos se mantenham informados acerca de actos que constituem formas de censura, este gabinete divulga uma lista dos dez livros que mais foram censurados em bibliotecas ou instituições de ensino norte-americanas.

O top 10 de 2019, divulgado recentemente, foi elaborado a partir de 566 livros alvos de censura em 377 instituições. Se aos livros adicionarmos outros materiais, como filmes ou jornais, os episódios de censura aumentaram 14% face aos casos registados em 2018.

Alguns destes livros já estão traduzidos para português e à venda em Portugal. Junto de cada título, para além de uma curta sinopse, colijo (numa tradução livre a partir da fonte original) algumas das razões apontadas por quem decidiu censurar, banir ou dificultar o acesso ao mesmo:

10.º – TRÊS COM TANGO, de Justin Richardson e Peter Parnell

Sinopse: indicado para crianças entre os 6 e os 8 anos, este livro conta a história real de dois pinguins machos que, depois de tentarem chocar pedras, conseguem ter um filhote com a ajuda do tratador do zoo de Nova Iorque onde vivem. Razões apontadas para a censura: por expor conteúdo LGBTI.

9.º – SÉRIE HARRY POTTER, de J.K. Rowling

Sinopse: quase dispensa apresentação a série que retrata as aventuras de um aprendiz de feiticeiro, um conjunto de livros que podem ser lidos dos 9 aos 99 anos e que muito têm contribuído para aumentar os índices de leitura entre os mais novos em todo o mundo. Alguns destes volumes entraram para a lista dos livros que mais se venderam na história da edição e da leitura universal, fazendo de J.K. Rowling uma mulher muito rica e influente. Razões apontadas para a censura: por fazer referência a magia e feitiçaria; por conter pragas e maldições; porque os personagens recorrem a métodos perversos para atingir os seus objectivos.

8.º – DRAMA, de Raina Telgemeier

Sinopse: indicado para leitores entre os 10 e os 14 anos, esta novela gráfica retrata as emoções surpreendentes experimentadas por Callie quando, no decorrer dos ensaios para uma peça de teatro escolar, conhece dois irmãos muito giros que também participam na encenação. Razões apontadas para a censura: por expor conteúdo LGBTI e conteúdos que vão contra os valores/moral da família.

7.º – A HISTÓRIA DE UMA SERVA, de Margaret Atwood

Sinopse: romance distópico onde, num volte-face político, os Estados Unidos se transformaram numa teocracia, um estado fundamentalista e policial que obriga as mulheres fertéis a conceber filhos para a elite estéril. Razões apontadas para a censura: por vulgaridade sexual e profanação.

6.º – I AM JAZZ, de Jessica Herthel e Jazz Jennings

Sinopse: contada de uma forma muito simples, esta é a história real de uma criança que com apenas dois anos já sabia que tinha um corpo de menino e um cérebro de menina. Recomendado para crianças com 4 ou mais anos. Razões apontadas para a censura: por conter conteúdo LGBTI; ter um personagem transgénero; expor tópicos sensíveis, controversos e politizados.

5.º – PRINCE & KNIGHT, de Daniel Haak

Sinopse: publicado em 2018, este é um conto de fadas moderno em que um nobre príncipe e um corajoso cavaleiro se unem para derrotar um monstro terrível e no decurso dessa aventura descobrem o verdadeiro amor. Veicula uma mensagem de inclusão e aceitação da diferença. Razões apontadas para a censura: por retratar um casamento gay; tentar deliberadamente doutrinar as crianças; ter potencial para causar curiosidade, confusão e disforia de género; entrar em conflito com a religião.

4.º – SEX IS A FUNNY WORD, de Cory Silverberg

Sinopse: o multipremiado livro “Sex is a Funny Word: a book about bodies, feelings and you” explora as questões relacionadas com o corpo, o género, a sexualidade, o estabelecimento de limites e a segurança, estimulando a conversa entre filhos, pais e educadores sobre estes assuntos. Foi concebido para leitores entre os 8 e os 10 anos. Razões apontadas para a censura: por expor conteúdos LGBTI; por discutir a identidade de género e a educação sexual; por considerarem as ilustrações desapropriadas.

3.º – UM DIA NA VIDA DE MARLON BUNDO, de Jill Twiss

Sinopse: este livro, publicado em Portugal no final de 2018, é adequado para crianças entre os 6 e os 10 anos e conta a história de um coelho que se apaixona por outro coelho. Veicula uma mensagem de tolerância e respeito pela diferença. Razões apontadas para a censura: por expor conteúdos LGBTI e pontos de vista políticos; por estar concebido para conspurcar a moralidade dos seus leitores; por não exibir um aviso quanto à natureza dos seus conteúdos. Houve registo de exemplares vandalizados.

2.º – BEYOND MAGENTA, de Susan Kuklin

Sinopse: publicado em 2014, “Beyound Magenta: Transgender Teens Speak Out” integra um conjunto de seis entrevistas a adolescentes e jovens adultos transgénero ou de género neutro, onde se relata e discute de forma honesta a jornada física e emocional de cada um. Razões apontadas para a censura: por conter conteúdos LGBTI; pelas consequências que possa causar nos jovens que o leiam; por ser sexualmente explícito e tendencioso.

1.º – GEORGE, de Alex Gino

Sinopse: “George” é um livro de ficção publicado em 2015, adequado para a faixa etária dos 8 aos 12 anos, que aborda a questão das crianças transgénero.  O livro conta a história de Melissa, uma menina incapaz de se expressar na sua plenitude, isto é, de ser ela mesma porque o resto do mundo a vê como um rapaz chamado George. Razões apontadas para a censura: para evitar controvérsia; por causa de conteúdos LGBTI e personagens transgénero; porque as escolas e as bibliotecas não deviam colocar nas mãos das crianças livros que requerem discussão; por fazer referência sexuais; por entrar em conflicto com pontos de vista religiosos e a estrutura da família tradicional.

Parafraseando a própria American Library Association, “a censura é um beco sem saída, limita a exploração e cria barreiras no acesso à informação”. Nos EUA ou em qualquer outro país cabe-nos a todos, cidadãos e leitores, não compactuar com situações semelhantes e denunciá-las.

Boas leituras!

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