Assumidamente extemporânea

O ano foi marcado por mais umas voltas ao país para a promoção da biblioterapia e a dinamização de muitas dezenas de actividades biblioterapêuticas com públicos de todas as idades; pela presença nos media, que não esmoreceu e conseguiu, até, ser superior à de 2024 no seguimento do lançamento do meu livro Ler para viver – Como a biblioterapia pode melhorar as nossas vidas; pela renovação das sessões de Biblioterapia Criativa no Hospital Magalhães Lemos para o período 2025/2026, que era um dos meus grandes objectivos profissionais; pela ida ao 2.º Congresso Europeu de Biblio/Poesia Terapia, desta vez na Universidade de Jyväskylä, na Finlândia; e pelo ingresso, em Setembro, no Programa Doutoral em Estudos Literários da Universidade de Aveiro, cujas exigências no 1.º semestre explicam o meu atraso na publicação deste habitual balanço.

Contrariamente a 2024, o ano não foi dominado pela leitura de livros ditos infantojuvenis, mas por razões profissionais estes ainda compõem uma grande parte das leituras que faço. Os livros que caem nesta categoria — a que também chamo “livros para todas as idades” — são uma das fontes mais ricas de material biblioterapêutico para todas as faixas etárias.

Apercebo-me que, apesar de ter lido excelentes livros de ficção de autores nacionais, continuo a dar mais atenção à ficção estrangeira. Vou tentar contrariar isto em 2026. Ler o meu primeiro livro de Hugo Gonçalves foi um ponto alto, e voltar à prosa de Eça, um deleite. Continuarei a voltar ao Eça todos os Verões, numa homenagem àquele Verão longínquo, o dos meus 15 anos, quando li “Os Maias” pela primeira vez e entrei definitivamente no mundo da literatura para os adultos. Na não ficção portuguesa, destaco o fulgor da poeta Maria Antónia Bastos, a sageza de Margarida Ferra e a humanidade límpida e compassiva do filósofo João Maria André.

Na ficção estrangeira, A parede, de Marlen Haushofer, foi o melhor livro de todos os que li em 2025. Não queria que o livro acabasse, não queria sair do mundo da protagonista. Desde que o terminei, em Dezembro, penso todos os dias em voltar a ele, em relê-lo, e ando a fazer uma lista de outros livros ecofeministas a ler num futuro próximo. A este propósito, embora não tenha entrado no top (o que é uma ingratidão), Terra Delas, de Charlotte Perkins Gilman é uma delícia. Na não ficção estrangeira destaco O espírito da esperança, de Byung-Chul Han (ainda não disponível em português), autor a que também volto todos os anos, cumprindo um ritual, e Um dia, sempre teremos sido todos contra isto, um livro sobre o genocídio do povo palestiniano que, apesar de recente, já adquiriu o estatuto de clássico.

Duas últimas notas: 1. As leituras que fiz para a faculdade, livros aos quaism suspeito, não teria chegado de outra maneira: Pelos Caminhos de Hermes: culturas, educação, hospitalidade e mediação, de João Maria André; A Eva futura, de Auguste Villiers de L’Isle-Adam; O Castelo dos Cárpatos, de Julio Verne, Órix e Crex, de Margaret Atwood e Será que os andróides sonham com ovelhas elétricas, de Philip K. Dick; 2. As releituras, porque há livros que, pelo seu potencial terapêutico, uso uma e outra vez em actividades de biblioterapia: O homem que plantava árvores, de Jean Giono; Capitão Rosalie, de Timothée de Fombelle e Isabelle Arsenault; O pedaço que falta, de Shel Silverstein; e Pequenas coisas como estas, de Claire Keegan.

PARA TODAS AS IDADES

FICÇÃO PORTUGUESA

NÃO FICÇÃO PORTUGUESA

FICÇÃO ESTRANGEIRA

NÃO FICÇÃO ESTRANGEIRA

OUTROS LIVROS LIDOS

Espero que o vosso ano de leituras tenha sido tão bom quanto o meu. Adoraria ver nos comentários o registo da vossa leitura preferida em 2025!

Até breve!

One thought on “Assumidamente extemporânea

Deixe um comentário