Como funciona

As várias definições de biblioterapia usam expressões como processo, desenvolvimento, interacção, dinâmica e actividade. Está implícita a noção de um movimento, de alguma forma de alteração de estado, que tem na sua base a relação que o ser humano estabelece com as histórias e a sua reacção às mesmas.

Neste processo de adaptação ou crescimento do ser humano desencadeado pela experiência estética literária, a generalidade dos especialistas concorda que os seguintes componentes estão na base do funcionamento da biblioterapia:

IDENTIFICAÇÃO – O momento em que o leitor estabelece uma forma de filiação com os personagens das histórias e as suas circunstâncias, chegando mesmo a reconhecer-se, a ver-se em tudo aquilo que eles vivem e sentem. Pela identificação, o leitor alcança um entendimento profundo dos personagens e das suas experiências.

INTROSPECÇÃO – O momento em que o leitor olha para dentro de si à luz do que a história e os personagens lhe trazem. Surge a oportunidade para contrapor semelhanças e diferenças, entender emocionalmente e intelectualmente as suas próprias motivações, e as de outras pessoas, e reorganizar a sua percepção da realidade, de si e dos outros. A introspecção é produtiva quando o leitor alcança discernimento e integra em si outras possibilidades de ser, isto é, quando cresce pela mudança.

CATARSE – Por intermédio das histórias, o leitor pode livrar-se do peso de certas emoções e viver uma fruição estética que contribui para a moderação dessas emoções e para o seu equilíbrio. Alcança-se uma forma de purga, que é fonte de prazer e conduz a um estado posterior de satisfação, serenidade e harmonia.

UNIVERSALIZAÇÃO – O momento em que o leitor tem a oportunidade para generalizar o que sente, perceber que não é o único a senti-lo, que outros, de outras eras históricas ou de outras culturas, já o sentiram ou ainda o sentem — uma consciência que é apaziguadora.