Tipos de biblioterapia

Uma primeira classificação dos tipos de biblioterapia surgiu nos anos 70 do século XX. Tem o mérito de colocar a ênfase na importância do diálogo ou da discussão, entre mediadores e pessoas alvo do processo biblioterapêutico, após a leitura:

INSTITUCIONAL – Leitura de textos de carácter didático por pessoas institucionalizadas, que depois as discutem com equipas médicas. É praticada em exclusivo por profissionais de saúde.

CLÍNICA – Leitura de ficção por pessoas com problemas emocionais e comportamentais, e o subsequente diálogo com o mediador (que pode não ser profissional de saúde), em coordenação com profissionais de saúde.

DE DESENVOLVIMENTO – Leitura de textos de ficção ou didáticos, por indivíduos ou grupos de pessoa que enfrentam problemas ou desafios do quotidiano. As leituras são discutidas com os mediadores — profissionais de qualquer área, desde que amantes da literatura — de forma a promover a saúde e um normal desenvolvimento dos participantes.

Na segunda década do século XXI, devido à desinstitucionalização da saúde mental, surgem novas propostas de classificação dos tipos de biblioterapia que, embora destaquem sempre a figura do mediador, não parecem dar tanto relevo ao diálogo acerca do que é lido para a eficácia da biblioterapia:

CRIATIVA – Leitura de ficção e poesia, individualmente ou em grupo, com o objectivo de promover a saúde mental.

INFORMAL – Recurso à experiência dos bibliotecários e ao trabalho quotidiano de promoção da leitura e da formação de leitores para recomendar-lhes livros que possam melhorar o seu bem-estar.

DE AUTO-AJUDA – Leitura de livros de não ficção/auto-ajuda muitas vezes recomendados por médicos para providenciar ajuda de carácter prático.

Actualmente, as actividades biblioterapêuticas também têm vindo a ganhar força no contexto laboral, pelo que podemos falar de biblioterapia:

CORPORATIVA – Leitura de livros de ficção ou não-ficção, individualmente ou em grupo, para, por exemplo, humanizar o local de trabalho, encorajar a tomada de decisão, aliviar a resistência à mudança, ajustar comportamentos ou atitudes, incentivar o espírito colaborativo ou desenvolver o pensamento crítico e criativo.