A biblioterapia encerra antiguidade e modernidade: é antiga na medida em que o reconhecimento do valor terapêutico da palavra e das histórias remonta à tradição oral e antecede em muito a tecnologia da escrita; e é moderna na sua formulação teórica básica, que começa a estabelecer-se cientificamente na primeira metade do século XX, mas também no actual investimento para aplicá-la, testá-la e modenizá-la à luz de novos dados e continuar a produzir conhecimento.
A palavra “bibliotherapy” surge pela primeira vez em Setembro de 1916, cunhada pelo norte-americano Samuel McChord Crothers (1857-1927) num artigo que intitulou “A Literary Clinic”. Para formar este neologismo, Crothers juntou duas palavras de origem grega: βιβλίο (biblio), isto é “livro”; e θεραπεία (therapeía), isto é “terapia” ou “tratamento”. A palavra portuguesa “biblioterapia” resulta da tradução literal do termo criado originalmente em inglês.
Estas são algumas das definições de biblioterapia propostas por especialistas:
“Um processo de interacção dinâmica e de carácter psicológico entre a personalidade do leitor e a literatura, que pode ser utilizado para a avaliação dessa mesma personalidade e contribuir para o seu ajustamento e desenvolvimento.” | Caroline Shrodes, em “Bibliotherapy: a theoretical and clinical-experimental study”, 1949
“O recurso a materiais de leitura seleccionados como auxiliares terapêuticos em medicina e psiquiatria; orientação na resolução de problemas pessoais através de leituras orientadas.” | Em Webster’s Third New International Dictionary, 1961
“O cuidado com o desenvolvimento do ser mediante a leitura, narração ou dramatização de histórias.” | Clarice Caldin, em “Leitura e Terapia”, 2010
“A biblioterapia é uma actividade com vertentes preventiva e terapêutica que, através da leitura de livros de ficção ou de auto-ajuda, individualmente ou em grupo, tem o propósito de facultar uma experiência de restabelecimento da saúde, ou permitir um contínuo desenvolvimento, em qualquer idade do ciclo vital.” | Ana Cristina Abreu, Maria Ángeles Zulueta e Anabela Henriques em “Biblioterapia: o estado da questão”, 2012
“A biblioterapia é um método que explora o impacto de carácter psicológico e emocional das histórias e põe em marcha o seu potencial transformador, para cuidar de qualquer pessoa e contribuir para o seu desenvolvimento e bem-estar.” | Sandra Barão Nobre, 2024
